Habitualmente considera-se que a matança do porco seria algo banal em “terras de lavradores”. A realidade era porém bem diferente. Se é verdade que a agricultura e a pecuária andam e andaram por estas bandas sempre de mãos dadas, não deixa de ser verdade que nem todos os agricultores tinham, no passado, a capacidade de criar para consumo próprio porcos. Estes animais eram muitas vezes criados em “parceria com os proprietários” das terras e competia ao agricultor todo o processo de criação, matança e preservação do animal para consumo posterior dos donos das terras, e, se possível, para consumo próprio.
Assim sendo, a simples ideia e imagem que os animais eram criados para consumo pessoal nem sempre era verdade. Muitos agricultores ficavam-se pela produção de animais de “menor porte” e menor investimento unitário como era o caso dos animais de capoeira.
A matança do porco era, assim, para além de um momento importante nas “lides agrícolas” um símbolo de estatuto, de partilha e auxílio, para além de um momento marcante de convívio social.
A matança do animal ocorreria habitualmente entre novembro e fevereiro, este período estava associado não só à idade e maturação do animal, mas ainda às condições atmosféricas (temperatura baixa) que permitiam que o animal não se deteriorasse rapidamente após a matança. O processo de matança, que se descreve mais em pormenor em seguida, era demorado e as carnes tinham que ser deixadas a “escorrer” pelo que se existissem “varejas” toda a carne se poderia rapidamente deteriorar. Por outro lado, a conservação pelo fumo implica um processo contínuo de cura que é, também ele, facilitado pela temperatura baixa. A carne do animal deveria, pois, ser arrefecida, ao natural, e preservada, em seguida, em sal, azeite ou no fumo.
Dependendo dos acordos estabelecidos, ao dono das terras (senhor) eram entregues as peças de carne mais “ricas” (grande parte da carcaça, os presuntos, as pás, etc.) sobrando para o agricultor as vísceras e a cabeça do animal.
Tradicionalmente, o animal era matado num dia e a desmancha realizada no dia seguinte. As carnes eram salgadas e parte delas desde logo temperadas e assadas na brasa, servindo de “mata bicho” aos presentes. Desde logo as carnes eram separadas em função do destino final a dar-lhes. Ao proprietário competia-lhe ainda providenciar o almoço dos presentes (muitas vezes com as miudezas do animal).
Eram pois momentos de alegria e diversão onde familiares, vizinhos e amigos se juntavam, havendo sempre cantares e bailes ao som de uma concertina, de uma rabeca e ou violão.
É pois com o intuito de preservação da cultura e tradição que, em diversos locais do Concelho, de que é exemplo a casa do Lavrador, se simula o ritual da matança do porco.
Não deixe de participar numa “matança do porco” e associe-a à gastronomia típica da nossa região.
Venha conhecer-nos.
Telefone 254 885 143
e-mail geral@casadolavrador.org
Estrada N.ª Sr.ª do Martírio, nº 667
4640-414 Sta Cruz do Douro - Baião