O Mosteiro de Santo André de Ancede, designado muitas vezes erradamente como convento de Ancede, o que na realidade não é já que desde sempre foi dotado de vastas terras agrícolas, foi fundado antes de 1120, pertenceu à antiga comarca de Trás-os-Montes e estava sobre a jurisdição do bispo do Porto.
Pertença dos cónegos Regrantes de Santo Agostinho até 1559, passou nessa data a pertencer à ordem dos Pregadores sob dependência do Mosteiro de São Domingos de Lisboa.
Durante vários séculos, o Mosteiro gerou grande património económico fruto da produção vinícola cujas terras, de sua pertença, propiciavam. Na realidade, com carta de couto de 1141 doada por D. Afonso Henriques, dedicou-se à produção Vitivinícola tendo chegado a possuir, de acordo com documentos do final do século XIV, de “bens de raiz na vila de Gaia”, dos quais se destacavam as albergarias e os armazéns. A posse destas propriedades permitiu obter da cidade do Porto o título de vizinho, que lhe conferia o pagamento de impostos menor, a venda direta dos produtos com vantagem superior assim como iguais privilégios e franquias aos dos habitantes do Porto.
Esta realidade desde cedo gerou a cobiça de várias ordens religiosas, sobretudo se percebermos que o vinho produzido no Mosteiro era vendido em plena idade média na Flandres, o porto comercial mais importante de então, e o próprio mosteiro possuía uma nau para o transporte desse mesmo vinho. Necessariamente a riqueza e o valor gerados foram causadores de cobiça e tentativas várias de limitar as vendas ou obter delas mais rendimento para a cidade do Porto (uma explicação mais aprofundada desta mesma realidade pode ser encontrada aqui).
Após vários séculos de autonomia, em 1559, por decisão do Papa Pio IV e a pedido da Regente D. Catarina da Áustria, é “unido in perpetuum” ao Mosteiro de S. Domingos de Lisboa convento esse de onde eram originários os confessores da Rainha. A partir desse momento, a grande maioria das riquezas geradas passa a ser canalizada para a capital, já que, de acordo com o documento datado de 1559, e a partir dessa data pertenceriam ao Mosteiro de São Domingos de Lisboa os direitos, rendas e igrejas anexas do Mosteiro de Ancede.
Um ano mais tarde (1560), de acordo com o Arquivo da Torre do Tombo, “Frei Estêvão Leitão tomou posse do Mosteiro de Ancede, recebendo a obediência do seu prior e dos quatro cónegos nele residentes que diante dele se ajoelharam de cabeça baixa e descoberta”.
No Século XIX, no âmbito da “reforma geral eclesiástica”, foram extintos todos os conventos e mosteiros, pelo que os bens das diversas ordens eclesiásticas foram incorporados na Fazenda Nacional.
Visite o mosteiro de Ancede, a Capela do Sr. do Bom Despacho, os Celeiros, a Adega e Lagares, as alas principais, que se encontram em ruína, e a quinta limitada ainda pela Cerca dos Frades. Todos estes espaços integram agora o centro interpretativo da Vinha e do Vinho.
Para uma visita não deixe de contactar o Museu Municipal de Baião.
Telefone: + 351 255 540 550
Fax: + 351 255 540 510
Localização -8,05731, 41,10198