Conhecer Baião 
A Produção Ovina e caprina
 

    Território com características climáticas e morfológicas únicas, o solo agrícola do Concelho de Baião apresenta uma heterogeneidade que ao longo dos tempos foi apreendida e compreendida pela população local. Assim, enquanto forma complementar às produções agrícolas locais, e face à elevada área de território onde tanto a  altitude como o declive são elevados e onde a riqueza do solo é menor (quer pelo clima, quer pelo solo quer pela exposição), a prática da pastorícia imperou.


    Nos locais mais agrestes, onde as condições não permitem a prática agrícola regular e rentável, onde a exploração intensiva do solo propiciaria a sua degradação, onde a altitude e declives são maiores fizeram com que surgisse a produção de gado essencialmente caprino. Nos locais de altitude menor com declives menos acentuados a produção de gado ovino em regime não estabulado imperou.


    Os outrora rebanhos de elevada dimensão hoje em dia não são tão comuns, porém, em aldeias como Mafômedes a pastorícia ainda é hoje muito praticada com rebanhos essencialmente dignos de monta.


    Os habitantes de Mafômodes, lugar situado na freguesia de Teixeira nas fraldas do Marão, são, hoje em dia, os habitantes de uma aldeia com pouco mais de três dezenas de pessoas rodeadas por uma paisagem luxuriante onde o “ambiente rural” se mantém preservado.


  É pois neste e em outros locais com estas características espalhados pelo concelho que a produção de gado caprino e ovino ocorre, num regime não estabulado, com animais em liberdade alimentando-se a “seu bel’ prazer” da vegetação nativa, bebendo dos regatos que serpenteiam pelas  vertentes e sendo protegidos pela mítica figura do pastor. Tradicionalmente, os animais não serviam apenas para criação/consumo e venda, mas também para a produção de requeijão. Este produto era tradicionalmente fabricado no tempo de calor e destinava-se, também ele, à venda e ao consumo próprio.


    Ainda nos dias que correm, o percurso que em Mafômodes o pastor faz diariamente com as cabras (galegas) faz com que saia bem cedo de casa (sobretudo no verão) para as “levar para o monte”, passe lá o dia inteiro, recolhendo-as e recolhendo-se quando começa a anoitecer, chegando a casa (no inverno) por volta das 22 horas.


    A estes animais não são dados aditivos alimentares, farinhas nem alimentos transgénicos. Alia-se, a uma alimentação “natural”, um regime de produção não estabulada seguida por veterinários que permite garantir a qualidade da carne e leite dos animais produzidos de forma biológica.


    Face a esta realidade, não é de estranhar que o prato tradicional do Concelho seja o anho assado com arroz de forno e (para quem de anho não goste pelo sabor mais intenso) o cabrito assado. A qualidade de confeção é tão elevada que os pedidos se sucederam tendo acabado por surgir   o “Festival do anho assado e do arroz de forno”. Este festival, cada vez com mais afluência, ocorre habitualmente em finais de Julho.